Na data em que, há exatos 10 anos, faleceu um dos mais importantes ambientalistas brasileiros, José Lutzenberger, o deputado Adão Villaverde (PT) recordou a importância da trajetória do fundador da Associação Gaúcha do Ambiente Natural (Agapan) na defesa da preservação da natureza e do conceito de sustentabilidade já no início dos anos 70. "O legado de Lutz ultrapassou a vanguarda da ecologia que liderou na época, para se constituir em um brado de conscientização cidadã, que desafiava até mesmo a ditadura que imperava em nosso país", disse o deputado.
Ao fixar posição contra a monocultura desenfreada da soja, o uso descontrolado de venenos agrícolas e a mecanização desregrada, Lutz contestava a política econômica do regime que resultava em danos ao meio ambiente mas também às pessoas que eram vítimas do envenamento dos alimentos e do êxodo rural que desembocava no aumento das vilas irregulares, piorando a qualidade de vida de todos.
Lutzenberger é responsável também pela popularização de termos como ecossistema, ecologia e biodiversidade que introduziu no vocalubário dos que defendiam a natureza e a vida. "Seu imenso legado ainda permanece vivo e, por isto, reivindicamos que não se permita nenhum retrocesso na política ambiental do país, como ocorre atualmente no caso do código florestal".
Nas redes sociais, Villaverde destacou, entre as expressões cunhadas por Lutzenberger, duas frases marcantes. "Mais do que deixar nossos queridos filhos no planeta, queremos deixar um grande planeta para os nossos queridos filhos". E outra: "Precisamos repensar o que chamamos de progresso. Necessitamos partir para uma nova cosmovisão".
José Lutzenberger morreu em 14 de maio de 2002, aos 75 anos, em Porto Alegre onde nasceu.