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PARLAMENTO
Obra lançada na Assembleia resgata história do regime de exceção no Brasil
Luiz Osellame - MTB 9500 - 09:09 - 10/12/2010
Adão Villaverde destacou papel da AL na defesa dos direitos humanos
Adão Villaverde destacou papel da AL na defesa dos direitos humanos
Com o Salão Júlio de Castilhos lotado por professores, estudantes e interessados em História, foi lançada na noite dessa quinta-feira (9) a segunda edição da coletânea A Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul (1964-1985): História e Memória. A obra é uma parceria entre a Assembleia Legislativa e UFRGS.
 
Ao abrir o evento, o deputado Adão Villaverde (PT), presidente da Escola do Legislativo Romildo Bolzan e na ocasião representando o presidente da Casa, deputado Giovani Cherini (PDT), agradeceu a todos que colaboraram para a realização da coletânea, insistentemente solicitada por muitas pessoas. Ele  destacou que a obra procura situar o que foi o regime militar e seus reflexos no Rio Grande do Sul, além da importância do papel desempenhado pela Assembleia Legislativa gaúcha durante todo aquele período, quando a Casa servia de refúgio para os participantes de manifestações e mobilizações em prol do fim do regime de exceção. O parlamentar também lembrou o pioneirismo da Assembleia na criação da primeira Comissão de Direitos Humanos do país, justamente para ser instrumento de luta contra os constantes arbítrios perpetrados pelo regime militar.
 
Ao falar sobre a obra, Villaverde destacou que é necessário enfrentar o tema sem revanchismos, mas com a responsabilidade digna de uma sociedade democrática. "Este período de arbítrio do nosso país, um período de repressão, de ruptura, autoritário, de perda de direitos de toda uma geração e de toda uma sociedade, precisa ser registrado para as gerações atuais e para as gerações que irão nos seguir, para que isto não se repita".
 
O coordenador do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Enrique Serra Padrós, salientou a parceria entre a Assembleia Legislativa e a UFRGS para a realização de uma obra coletiva, que resgata parte da rica e complexa história do Rio Grande do Sul e que, de alguma forma, procura apontar para uma luta coletiva, pelo direito à memória, pelo direito à verdade e pelo direito à Justiça. "Fazemos isso como acadêmicos, fazemos isso como sobreviventes, como testemunhas, fazemos isso naquilo que consideramos fundamental para resgatar a história do tempo presente". 
 
Para Padrós, o objetivo da publicação é fazer a conexão entre as gerações anteriores, dos sobreviventes, com as gerações mais novas. "Afinal de contas, como sociedade, o passado tem que ser permanentemente lembrado em um presente que também tem os seus desafios. As novas gerações têm que se enxergar nestas histórias, afinal estamos falando da história dos seus pais e avós deles. Portanto, é a história deles também".
 
O professor e pesquisador ressaltou que, quase trinta anos após o fim da ditadura, o tema persiste. Para ele, ainda existem perguntas que precisam ser respondidas: o que houve com os mortos e desaparecidos, motivações que levaram o regime militar a agir daquela forma e de quem são as responsabilidades. "Enquanto isso não for encarado abertamente, a sociedade tem feridas abertas. Quando tudo isso vier a público, a sociedade fará sua catarse e, naturalmente, poderá esquecer. Mas ela esquecerá sabendo que, em algum arquivo, em alguma biblioteca, nos livros, esta história está contada", concluiu.
 
Também participaram do evento os deputados Raul Carrion (PCdoB) e Elvino Bohn Gass (PT).
 
Depoimentos
Integrante da Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos e autora de um dos textos do volume II da coletânea, Suzana Keniger Lisbôa disse ser impossível não registrar a importância do Parlamento gaúcho na história do resgate da ditadura militar. Foi a ALRS que primeiro criou uma Comissão de Direitos Humanos e imprimiu pela primeira vez o dossiê dos mortos e desaparecidos políticos, destacou a ativista. Ao mesmo tempo, lamentou que uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos deva condenar o Brasil por não ter cumprido o que deveria em termos de justiça e verdade em relação aos seus mortos e desaparecidos políticos.
 
Perseguido, condenado e exilado, o cantor e compositor Raul Ellwanger teve sua carreira interrompida pelas arbitrariedades cometidas pelo regime militar.  O artista lamenta que o Brasil não tenha seguido o exemplo de países vizinhos, que também passaram por regimes de exceção, e levaram aos tribunais todos aqueles que participaram, como mentores ou agentes, de atos criminosos. "Os poderosos tratam de esconder estas coisas para fazer parecer que tudo foi natural e normal nas nossas vidas e no nosso país. Nada foi muito normal. Foi um período espantoso e, olhando para trás, nos surpreendemos que tenha acontecido".
 
O jornalista Luiz Cláudio Cunha enalteceu a iniciativa da Assembleia Legislativa e da UFRGS em publicar uma obra que resgata a história da ditadura. "O país que não conhece o seu passado está condenado a repeti-lo", alertou. O jornalista salientou que, o fato de estar vivo é uma prova de que, passado o tempo, a treva não vence a luz. "Passa o tempo, as pessoas se machucam, são feridas, alguns tombam no meio do caminho, mas o saldo final é que o arbítrio e a violência sempre acabam vencidos pela democracia e pela força da sociedade organizada". 
 
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