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Terezinha Irigaray recebe Medalha de Deputada Emérita em Sessão Solene no Plenário 20 de Setembro

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SESSÃO SOLENE
Ex-deputada Terezinha Irigaray recebe a Medalha Deputada Emérita
Celso Luiz Bender* - MTE 5771 | Agência de Notícias - 16:48-05/12/2018 - Edição: Letícia Rodrigues - MTE 9373 - Foto: Marcelo Bertani
Presidente da AL e proponente da homenagem entregaram a medalha a Terezinha Irigaray
Em sessão solene, na tarde desta quarta-feira (5), a ex-deputada, professora e advogada Terezinha Irigaray recebeu a Medalha "Deputada Emérita", por proposição da deputada Manuela d’Ávila (PCdoB). “Pela primeira vez, uma mulher é agraciada como deputada emérita no Parlamento gaúcho”, registrou Manuela, recordando que a deferência foi instituída em 1988. “Além de uma merecida homenagem, é uma maneira simbólica de diminuir as desigualdades entre gênero nesta Casa Legislativa e valorizar o trabalho das parlamentares e mulheres gaúchas”, acrescentou.
 
Manuela lembrou o fato de presidir, há dois anos, a Procuradoria da Mulher da Assembleia gaúcha. “Decidimos que o mais importante a fazer seria contar a história das mulheres que passaram por esta Casa. São 180 anos da ALRS e nós, mulheres, somos menos de 30”, observou, citando que nenhuma foto de parlamentar mulher integrava a Galeria dos Deputados Eméritos. “Me perguntei, então, se nenhuma de nós teria mérito para ser reconhecida pelo conjunto do plenário como um parlamentar especial, uma vez que os deputados eméritos são os que nós, demais deputados, escolhemos de forma coletiva, como os mais ilustres deste Legislativo”, ponderou Manuela.
 
Narrou que a Procuradoria da Mulher levou à Mesa Diretora da AL, então, a sugestão do nome de Terezinha Irigaray, "pelo seu brilho especial, por sua atuação especial nesta Casa e no Estado num determinado momento da história, para que recebesse esta honraria, mais que merecida”.
 
Reforçou que a ex-deputada não havia sido apenas a segunda mulher eleita neste Legislativo. Até hoje, 2018, apontou a deputada Manuela, “não há um único parlamentar que tenha ultrapassado, em 1966, os votos que a senhora obteve, proporcionalmente. Ninguém, neste 52 anos que nos separam do momento da sua eleição, ultrapassou aquele recorde. Hoje, mais de 400 mil votos, cálculos da nossa equipe. Foi uma precursora, abrindo portas para muitas mulheres. Infelizmente, pouco depois, dois anos depois, o seu mandato foi cassado pelo AI5, que neste 15 de dezembro de 2018 completa 50 anos da sua entrada em vigor. Uma data triste para o país”, destacou a parlamentar do PCdoB.
 
A eleição de Terezinha Irigaray, sublinhou Manuela, “aquele volume de votos, foi uma reação do povo contra os que calavam vozes. Mas a sua voz não foi calada. Não conseguiram, e a prova está aqui nestas galerias, com amigos e familiares, e também na presença de representantes do Tribunal de Contas do Estado, onde a senhora igualmente foi precursora. Assim, esta é uma homenagem à história que a senhora construiu, com as dores de haver vivenciado ações ditatoriais; uma homenagem desta Casa a este seu brilho especial que lhe faz, sim, diferente, por sua trajetória”, resumiu.
 
Homenageada
Terezinha Irigaray iniciou sua manifestação destacando ser, aquele, um “momento extremamente difícil e histórico, por tratar-se de reencontro com a Assembleia Legislativa. Um reencontro que me comove e emociona; me transporta para 50 anos atrás, quando daqui saí”, recordou. “1969 e a jovem deputada eleita com grande votação, a maior do Rio Grande e do Brasil à época. Alguém respaldada pelo voto popular mas que, mesmo assim, foi arrancada brutalmente do seu lugar, daqui deste plenário”, narrou emocionada, agradecendo a presença de familiares e amigos nas galerias. 
 
A homenageada seguiu relembrando aquele momento marcante. “A minha cassação foi ato covarde, um banimento forçado que alterou completamente meu destino público e político, e a vida da minha família. Em 1966, a votação histórica; em 15 de dezembro de 1968, o AI5 e, depois, 1969, e a cassação”, sintetizou. Conforme ela, sua eleição foi ponto de convergência de uma sociedade inconformada com os rumos do país. "Como representante da oposição, meu grito era o do protesto de um povo amordaçado. Foram tempos amargos, na boca e na alma”, pontuou.
 
Referiu que aquele foi um momento, um ciclo, que ficou para trás. “Sem mágoas e sem dores, de coração leve e mente lúcida, tenho convicção que o perdão é o mais nobre dos sentimentos, mesmo que não apague as lembranças”, ponderou. Sobre a anistia, que veio posteriormente, disse que, num primeiro momento, foi contra. “Anistiada do quê, se não havia feito nada de errado”, analisou, frisando que a proposição da deputada Manuela “me reconduz à minha trajetória política e à minha derradeira e real história de vida pública. Um momento luminoso, humano e reparador, de uma injustiça cruel efetivada neste plenário. Sua homenagem, deputada Manuela, colocará em evidência o papel da mulher com sua dinâmica, sua capacidade, projetos e realizações”.
 
Por fim, Terezinha Irigaray destacou que “figurar como emérita, no quadro honroso e ilustre dos deputados que passaram por este plenário e por esta casa, é um passo pioneiro e único, por igualdade democrática, algo pelo qual tanto lutamos”, ressaltou.
 
Manifestações
Representando a bancada do Partido dos Trabalhadores, Stela Farias destacou a expressiva votação da homenageada em 1966 e sua trajetória como “expressão da história política do Rio Grande do Sul e para nós mulheres”, cujo papel foi de “desbravadora e precursora do nosso tempo”. Identificada, referiu a coragem de Irigaray em assumir não só a vida política, mas a luta da esquerda, história de vida que foi resumida pelo golpe militar ao cassar seu mandato e, também, afastá-la do magistério, sua vocação. As dificuldades advindas da violência praticada pelo regime militar, atingindo sua família, foram superadas pela “tenacidade desta mulher admirável”, que tudo superou com altivez. Apontou a militância no Movimento pela Anistia e o pioneirismo em assumir a primeira vaga feminina como Conselheira do Tribunal de Contas do Estado. Por tudo isto, afirmou, “a distinção recebida é justa e merecida no destaque da memória desta Casa”.
 
Pelo Movimento Democrático Brasileiro, Tiago Simon classificou Terezinha Irigaray de “precursora da democracia”, o que justifica a homenagem como resgate histórico diante das “agruras e injustiças da ditadura militar”. Disse que “é difícil neste momento expressarmos o ambiente vivido aqui nesta Casa em 1967, o ambiente da ditadura militar, da opressão de um regime onde se impunham barreiras culturais à participação política das mulheres”, referindo-se às restrições impostas para a presença de mulheres nas comissões ou os impedimentos na apresentação de projetos de lei. “É inimaginável o ambiente de opressão às liberdades”, continuou o deputado, ao mostrar a superação pela expressiva votação, a maior do país. Falando como filho de um dos líderes da redemocratização do Brasil, o ex-senador Pedro Simon, comentou que “sabemos o preço da luta pela conquista da liberdade e restituição da democracia no país”, não só pela perseguição política materializada no Ato Institucional 5, que resultou na cassação, mas pela superação ao recuperar os direitos políticos e deixar legado à cidade, como o Albergue Madre Pelletier, o projeto de Guias Mirins, o setor de esportes do Ginásio Municipal Tesourinha.
 
Galeria
Após a sessão solene, na presença de familiares e amigos, foi descerrada foto da ex-deputada na Galeria dos Deputados Eméritos, localizada no Espaço Osvaldo Aranha, no 1º andar. 
 
Autoridades
Integraram a mesa das autoridades, além do presidente da Casa, deputado Marlon Santos (PDT); o subdefensor público-geral do RS para Assuntos Administrativos, Antônio Flávio Oliveira; a procuradora-geral adjunta do Estado para Assuntos Institucionais, Ana Cristina Beck; o procurador-geral do Ministério Público de Contas, Geraldo Costa Da Camino (igualmente representando o Tribunal de Contas do Estado) e o ex-deputado estadual constituinte e ex-prefeito da Capital, José Fortunati. Igualmente presentes, os filhos Carlos Eduardo e Rosa Maria.
 
Biografia resumida
Terezinha Irigaray foi a segunda parlamentar mulher do Parlamento gaúcho, e a deputada estadual mais votada no Rio Grande do Sul, e no país, no ano de 1966. Todavia, não conseguiu cumprir todo o mandato, pois dois anos após assumir foi cassada pelo regime militar e passou dez anos longe da atividade política. Em 1979, após a anistia, recuperou seus direitos políticos, elegendo-se vereadora de Porto Alegre, em 1982.
 
Já em 1998, foi a primeira mulher a ocupar o cargo de Conselheira do Tribunal de Contas do Estado. No TCE, exerceu a função de 2ª vice-presidente, tendo sido vice-corregedora, presidente do Conselho da Qualidade e presidente do Conselho do Memorial. Com uma vasta trajetória política, foi secretária de Educação do município de Porto Alegre, quando desenvolveu o projeto “Nenhuma Criança Sem Escola”. Também ocupou o cargo de secretária municipal de Educação em Sapucaia do Sul.
 
*Com Francis Maia
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Sessão Solene


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