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Terezinha Irigaray recebe Medalha de Deputada Emérita em Sessão Solene no Plenário 20 de Setembro

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Assembléia Legislativa presta homenagem ao Ypiranga de Erechim
Luiz Osellame MTB 9500 | Agência de Notícias - 14:15-04/11/2008 - Edição: Rejane Silva MTB 6302
O deputado Ivar Pavan (PT) utilizou o período do Grande Expediente desta terça-feira (4) para homenagear o Ypiranga Futebol Clube de Erechim, Campeão Gaúcho da Segunda Divisão de 2008. Pavan ressaltou a história da agremiação que retorna à elite do futebol do Rio Grande do Sul.
 
Pavan iniciou a sua fala saudando o Presidente da Assembléia Legislativa, deputado Alceu Moreira (PMDB), Francisco Noveletto Neto - Presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Paulo Sérgio Poletto – Diretor de Marketing do Ypiranga/Barão, representando a Senhora Terezinha Schillo Martarello - Diretora do Instituto Anglicano Barão do Rio Branco e da Faculdade Anglicana de Erechim - FAE, João Aleixo Bruschi - Presidente do Conselho do Ypiranga Futebol Clube,  Antônio Gil - Treinador do Ypiranga/Barão, membros da Mesa Diretora, deputados, Jogadores do Ypiranga/Barão, representados pelo capitão Marcio Oldra, profissionais da imprensa e demais autoridades presentes.
"Vou utilizar este importante espaço para homenagear o Ypiranga/Barão, de Erechim, tendo em vista a conquista, em 2008, do Título de Campeão Gaúcho da Segunda Divisão de Profissionais, e da passagem para a Primeira Divisão", sublinhou Pavan.
 
Pavan descreveu a origem do Ypiranga de Erechim, fundado em 18 de agosto de 1924, há 84 anos. O Clube foi criado para fazer frente ao Ítalo-brasileiro, único clube existente na época, considerado muito fechado. A fundação ocorreu após um jogo entre o Ítalo-Brasileiro e o Clube Douradense. Um grupo de pessoas recém chegado a Erechim torceu pelo Douradense, motivo de uma briga generalizada.
 
No mesmo dia, este grupo de pessoas reuniu-se no salão de festas do Hotel Central, de propriedade de Florêncio Antunes de Oliveira, instalado na Avenida Maurício Cardoso, ao lado do Cine Luz, antiga Casa Arioli. Moradores de Erechim afirmam que os integrantes do grupo eram ardorosos patriotas. Por isso, as cores verde e amarelo para o pavilhão e fardamento do clube. Nesta ocasião, João Antônio Sírtoli teria gritado “Então viva o Ypiranga Futebol Clube”, possivelmente fazendo alusão ao Grito da Independência do Brasil. Surgia assim o nome escolhido para o clube. Na mesma data, também por aclamação, foi eleita a primeira diretoria: João Vitorino dos Reis - Presidente; Francisco de Oliveira Dias - Secretário; Florêncio Antunes Oliveira - Tesoureiro.
 
Entre os fundadores estão Arthur Incerti, Favorino Pinto, Ercilia Di Francesco Amorim, Fioravante Tagliari, Florêncio Antunes de Oliveira, Francisco de Oliveira Dias, Heraclides Franco, Jacinto Godoy, João Antonio Sírtoli, João Magnabosco, João Reis Solon, João Vitorino dos Reis, José Maria de Amorim, Lizandro Araújo, Nilo Amorim, Otto Feldmann, Paulo Damasceno Ferreira, Sigismundo Pllak, Sebastião César, Silvestre Péricles Monteiro (mais tarde autor do hino do clube), Simão Vasconcelos de Souza, Themistocles Ochoa, Theodoro Tedesco e Vitório Alovise.
O primeiro jogo do Ypiranga foi em 20 de setembro de 1924, há pouco mais de um mês da fundação, justamente contra o Ítalo-Brasileiro. A estréia foi boa e o Ypiranga venceu o jogo por 1 x 0.
 
As senhoras e senhoritas da época fundaram a primeira torcida organizada, “As Legendárias”. Na época, para angariar dinheiro para o clube, era comum as mulheres venderem botões de rosa durante a partida de futebol. O primeiro botão de rosa vendido para angariar fundos para o Ypiranga foi pela senhora Ercília Mônica Di Francesco Amorim, que fazia parte da torcida "As Legendárias".
 
O primeiro time do Ypiranga Futebol Clube era formado por Theodoro Tedesco, Miguel Nunhofer e Gradin; Hagers, Arthur Incerti e Buscaro; Waldemar Stumph, David Massignan, Horaci Oliveira (o capitãozinho), Ludovico Incerti e Sady Dias. Como reservas figuravam Pigozzo e Morganti. Os treinos eram dirigidos por Vitório Alovisi.
 
Durante várias décadas a entidade funcionou como clube social e disputava campeonatos de futebol amador. A sede social, localizada na Rua Alemanha, queimou na década de 50, levando muitos registros históricos. As partidas de futebol eram disputadas no Estádio da Montanha, hoje Bairro Ipiranga.
 
Em 1950 o Ypiranga alcançou o seu primeiro título de projeção estadual, quando foi Campeão Estadual de Amadores. De 1950 a 1967 participou do Campeonato Gaúcho da segunda divisão, juntamente com o Atlântico Futebol Clube, também de Erechim. A rivalidade entre os clubes produziu grandes clássicos do futebol da Região: os Atlangas.
 
Em 1964 o Ypiranga iniciou o projeto de construção do atual Estádio, o Colosso da Lagoa. Em 1967, o Ypiranga foi campeão estadual da Divisão de Ascenso, o que colocou a equipe, pela primeira vez na história, na Primeira Divisão do Futebol Gaúcho. O título foi conquistado na mesma época em que era construído o Estádio Colosso da Lagoa.
 
Os recursos para a construção do estádio originaram-se da venda de títulos patrimoniais. A inauguração do Colosso da Lagoa aconteceu em setembro de 1970. Participaram do festival de inauguração: Taguá de Getúlio Vargas, Atlântico de Erechim, Esportivo de Bento Gonçalves, Grêmio e Internacional de Porto Alegre, Santos de São Paulo, Botafogo do Rio de Janeiro, Cruzeiro de Belo Horizonte e Independiente da Argentina.
 
O primeiro jogo do festival de inauguração foi entre Grêmio e Santos, no dia 2 de setembro de 1970. O Rei Pelé, recém campeão da copa do Mundo de 1970, fez o gol 1040 no Estádio Colosso da Lagoa. O gol teve repercussão nacional, tendo em vista a homenagem da Rádio Tupi de São Paulo, que acompanhava todos os jogos que tinham a atuação de Pelé à espera do gol 1040, freqüência da Rádio Tupi. Foi um dos mais bonitos gols do Rei Pelé e a primeira grande emoção da torcida no Colosso da Lagoa. O Ypiranga de Erechim estreou no Colosso da Lagoa jogando com o Esportivo de Bento Gonçalves, vencendo a partida por 3 x 2.
 
Quando construído, o Estádio tinha capacidade para 30 mil pessoas, podendo receber toda a população de Erechim. Ainda hoje é considerado o maior estádio do interior do Rio Grande do Sul e o terceiro maior do Estado, perdendo apenas para o Beira-Rio e o Olímpico. O recorde de público foi em 18 de Agosto de 1974, com 25 mil torcedores, na partida pelo Campeonato Gaúcho, entre o Ypiranga e o Internacional de Porto Alegre.
 
O Ypiranga permaneceu na Primeira Divisão do Futebol Gaúcho por dez anos, até 1977. Tendo em vista os graves problemas financeiros, a direção decidiu abandonar o campeonato e pedir o desligamento da competição. Era a primeira vez que o Gigante de Erechim adormecia. Três anos depois, em 1980, o clube voltou a disputar futebol em nível amador.
 
Em 1989, o Ypiranga subiu novamente para a primeira divisão, contando com Paulo Sérgio Poletto como treinador. O campeonato foi marcado pelos portões abertos. João Aleixo Bruschi, presidente do conselho na época e atual conta: “O clube estava num descrédito tão grande, que fazíamos tudo para mobilizar o torcedor, até abrir os portões”. De 1990 a 1999 o Ypiranga disputou o Campeonato Gaúcho da Primeira Divisão, chegando a Campeão do Interior, em 1994.
 
Em 1999 o Ypiranga caiu novamente para a Segunda Divisão. O clube continuou no futebol até 2003, quando caiu para a Terceira Divisão. Com muitas dificuldades financeiras, a direção decidiu fechar o departamento de futebol e o gigante Colosso da Lagoa adormecia pela segunda vez. Sem futebol, com muitas dívidas, o clube teve parte do patrimônio leiloado e corria o risco de perder até o estádio. Negociações com credores e audiências públicas junto à justiça passaram a fazer parte da rotina da direção.
 
Em setembro de 2003 o Ypiranga fechou parceria com o Instituto Anglicano Barão do Rio Branco, da Igreja Anglicana, dirigido por Valério Schillo. Em troca da manutenção das instalações, o Instituto passou a utilizar o Estádio como um centro de treinamento de atletas.
 
A paixão do diretor do Barão pelo futebol logo se mostrou forte. Já no ano seguinte, o Ypiranga tinha novamente uma equipe, que disputou campeonatos de juniores e juvenis em 2004 e 2005. Em 2006 o diretor do Barão do Rio Branco anunciou que o Ypiranga voltaria a disputar o Campeonato Gaúcho da Segunda Divisão e tornou público um planejamento estratégico que objetivava o retorno do Clube à Primeira Divisão em 2008. Enquanto o Conselho Deliberativo do Clube era responsável pela parte institucional, o Barão do Rio Branco passou a ser responsável pelo futebol. 
 
O próprio Valério Schillo lavrou o gramado e semeou grama nova. Os jogos pelo Brasileirão trazidos para o Colosso da Lagoa garantiram a renda para começar as reformas. A certeza de que o projeto era viável era tanta que Valério Schillo conseguiu reunir dezenas de voluntários à sua volta. Funcionários do Instituto Barão do Rio Branco, médicos, psicólogos, advogados, jornalistas, empresários, e agricultores trabalharam, voluntariamente, por quatro anos. Ajudaram na pintura do estádio, venderam camisetas, trabalharam na bilheteria, médicos atenderam gratuitamente os atletas. Todos foram parceiros necessários nos momentos de crise. O professor Valério dizia: “Nós precisamos dar esta alegria ao povo de Erechim e da Região. Tem gente que não sabe o que é sentir, no estádio, a emoção do futebol”.
 
O Colosso da Lagoa abriu as portas para os mais carentes. Os próprios jogadores visitaram as famílias dos bairros para fazer o cadastro do projeto social. Duas mil pessoas foram cadastradas e hoje assistem aos jogos sem pagar ingresso. Muito antes da Lei que restringe a venda de bebida alcoólica nos estádios, o professor Schillo havia proibido a venda no Colosso da Lagoa. “Somos uma escola e temos que manter a nossa filosofia em todos os locais. O Colosso é lugar de reunir as famílias e álcool não combina com isso”, dizia o Diretor.
 
O professor Valério foi fazendo futebol do seu jeito. A torcida, conhecida como Mancha, foi acreditando e voltando ao estádio. O projeto foi se tornando realidade, contando com o apoio dos empresários que fecharam contratos de patrocínio de quatro anos. O Barão do Rio Branco reformou o estádio. Schillo contratou o treinador Paulo Sérgio Poletto para treinar a equipe. Em 2006, os resultados não foram bons, mas o diretor reafirmava que se tratava de um projeto de médio prazo. “Nós poderíamos fazer parceria com um grande patrocinador, subir de um ano para o outro, mas correr o risco de cair no momento em que a parceria acabasse. Por isso, o plano é dar um passo de cada vez, construindo um projeto viável e de longo prazo”, dizia o professor Valério.
 
Já em 2007 o Ypiranga chegou às semifinais do campeonato gaúcho da segunda divisão. O ano de 2008 começou como o grande ano da virada para o Ypiranga. Em fevereiro, Valério foi pela última vez ao Colosso da Lagoa. Falou pela última vez sobre o seu sonho ao repórter da Rádio Difusão Natalino Ceni. Já com o campeonato em andamento, o Barão do Rio Branco e o Conselho do Clube sofreram o maior dos seus desfalques. O diretor Valério Schillo faleceu em 03 de março, vítima de câncer e não pôde ver seu projeto concretizado. Nossa homenagem ao grande idealizador e Diretor Valério Schillo.
 
Mesmo em meio a esta fatalidade, a integração e a harmonia entre as duas instituições garantiram a continuidade do projeto. A nova diretora do Barão do Rio Branco, Terezinha Schillo Martarello, irmã do diretor falecido, abraçou a causa do Ypiranga com o mesmo entusiasmo. Superou a falta de jeito no início e tornou-se uma das únicas mulheres na história do futebol a conduzir um clube de volta à Primeira Divisão. No entanto, para o Ypiranga, este fato não é inédito, tendo em vista o papel de destaque das mulheres já na fundação do Clube. Lembramos aqui a senhora Ercilia Di Francesco Amorim, uma das fundadoras e Líder da torcida “As Legendárias”, que também contribuía na arrecadação de recursos para viabilizar o projeto do recém criado Ypiranga de Erechim.
 
Pavan referiu que o Ypiranga se classificou para a primeira divisão num jogo histórico contra o Brasil de Farroupilha. O estádio recebeu 20 mil pessoas, o maior público da história em um jogo pela Segundona Gaúcha. Classificado, faltando duas partidas para o final do campeonato, o Ypiranga deixou de ser campeão antecipado no empate fora de casa contra o Três Passos.
 
O último jogo, em 23 de agosto, com o Guarani de Venâncio Aires, foi dramático. O Ypiranga precisava vencer e, mesmo assim, dependia do resultado do jogo do Avenida, de Santa Cruz do Sul, que se vencesse, seria campeão. O Avenida empatou o jogo com o Brasil de Farroupilha por 2 x 2. Dentro de campo, os jogadores do Ypiranga fizeram a sua parte, vencendo o Guarani por 2 x 1, os dois gols de Anderson Catatau. Mesmo campeão, o Ypiranga teve que comemorar com a taça de vice-campeão, já que a taça de campeão chegou a Erechim somente na terça-feira seguinte.
 
Nossa  homenagem à Comissão Técnica: Antonio Gil - treinador, Ildo de Pauli - auxiliar  técnico, César Andreis - preparador físico, Julio César - treinador de goleiros, Lauro Linhares – massagista, Luciano Lira - gerente de futebol.
 
Nossa homenagem aos jogadores que garantiram esta conquista: aos goleiros Alexandre e Giovani; aos laterais Eduardo, Ruan, Maronese, Diego e Brida; aos zagueiros Thomas, Ramon, Jésum, Baggio e China; aos volantes Marcio Oldra, Pavão, Marquinhos e Lorivan; aos meias Maicon Sapucaia, Guilherme, Luis Rodrigo e Maninho; e aos atacantes Vagner, Catatau, Pito, Alex, e Kito.
Nossa homenagem ao Ypiranga/Barão, a Erechim e Região Alto Uruguai. Esta é uma conquista da Direção, da Comissão Técnica, dos Jogadores do Ypiranga/Barão e também de Erechim e Região.
 
Pavan afirmou que a conquista do Título de Campeão Gaúcho da Segunda Divisão de Profissionais e da passagem para a Primeira Divisão coloca o Ypiranga junto aos grandes times do futebol gaúcho. Esta conquista projeta e fortalece o Município de Erechim e a Região Alto Uruguai no contexto esportivo, social e econômico do Estado.
 
Como deputado e cidadão de Erechim e Região, me orgulho em poder homenagear os 84 anos de história, as vitórias e esta grande conquista do Ypiranga. A parceria Ypiranga/Barão é uma parceria que deu certo. Parabéns Ypiranga Futebol Clube. Parabéns Instituto Barão do Rio Branco, à Diretora e a todos os membros da direção. Parabéns aos patrocinadores e aos voluntários; Parabéns à Comissão Técnica e aos jogadores. Parabéns a Erechim e Região. Parabéns a todos os que apostaram neste Projeto. Gritemos como João Antônio Sírtoli há 84 anos: “Então, viva o Ypiranga Futebol Clube”.
 
Ivar Pavan foi aparteado pelos deputados Francisco Appio (PP), Iradir Pietroski (PTB), Elvino Bohn Gass (PT), Miki Breier (PSB) e Gilmar Sossela (PDT).
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