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AUDIÊNCIA PÚBLICA CONJUNTA
Reflexos da obesidade infanto-juvenil na saúde pública é tema de audiência pública
Letícia Rodrigues - MTE 9373 | Agência de Notícias - 21:27-03/05/2017 - Foto: Marcelo Bertani
Debate foi realizado no Plenarinho da ALRS

As comissões de Saúde e Meio Ambiente e de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia promoveram, na noite desta quarta-feira (3), audiência pública conjunta para debater a obesidade na infância e na adolescência e os reflexos na saúde pública. A proposição foi do deputado Maurício Dziedricki (PTB), que coordenou o encontro. Ao final do debate, foi criado um grupo permanente de trabalho para dar prosseguimento à discussão do tema, propondo ações concretas, como a criação ou modificação de leis.

O parlamentar explicou que a questão surgiu em 2016, quando disputou a eleição municipal, e se deparou com a questão da reincidência de pessoas no sistema de saúde pública por falta de cuidados relacionados à alimentação saudável e inatividade física. Por isso, apresentou, este ano, o PL 40 2017, que cria o cadastro de obesidade infanto-juvenil nas escolas de ensino fundamental e médio do Rio Grande do Sul. “E não é um mero diagnóstico, é a proposta de acompanhamento, já que essas crianças percorrem 12 anos dentro da escola”, apontou. O parlamentar informou ainda que protocolou também um novo projeto, que obriga a divulgação do quantitativo de sal e açúcar nos rótulos de alimentos, refrigerantes e sucos produzidos, comercializados e envasados no Estado do Rio Grande do Sul.

Manifestações

O professor Roberto Costa, da Faculdade de Desenvolvimento do RS (Fadergs), apresentou dados de estudos acadêmicos e públicos sobre a obesidade na infância e na adolescência. Entre eles, os do Sistema de vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde. Segundo as informações apresentadas, de 2016, o RS tem 54,9% de prevalência de obesidade. Conforme o Programa Nacional de Saúde do Escolar, de 2015, o sobrepeso e a obesidade estão presentes em 31,5% dos adolescentes de 13 a 17 anos no país e, na Região Sul, essa prevalência chega a 38,4%. “Há necessidade de tomarmos providência urgentes”, declarou. Citou o ambiente obesogênico (alimentação inadequada e horas em frente a alguma tela – TV, videogame, smartphone) como um dos principais desencadeadores do problema, que já é a terceira causa de morte no Brasil, só atrás da morte violenta e do alcoolismo. Para ele, para mudar a situação é preciso ter um retrato dos escolares gaúchos, realizar campanhas permanentes para estimular a mudança no estilo de vida, apresentar nos rótulos dos alimentos os elementos nocivos à saúde como ocorre nos maços de cigarro, educar para a saúde e também criar leis, como as propostas pelo proponente da audiência.

O presidente da Fundação de Saúde de Canoas, Fernando Ritter, defendeu leis que obriguem e estimulem os gestores municipais a executarem ações para prevenir a questão. “O grande problema de quem está na gestão é o tempo que ações de prevenção levam para trazer resultados. Eles só vão ser sentidos em gerações futuras, mas é preciso começar agora”, salientou. Com isso, a questão tem que ser tratada como prioridade. Ele ainda parabenizou o deputado Maurício pela iniciativa de tratar da obesidade na infância e na adolescência.

A reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Lucia Pellanda, defendeu que se invista na prevenção primordial, aquela feita antes da população desenvolver os fatores de risco. “É muito mais efetivo fazer uma campanha para as crianças não começarem a fumar do que tentar fazer os adultos deixarem de fumar”, exemplificou. Entre as medidas a serem estimuladas nas crianças e adolescentes citou ter uma alimentação saudável, não fumar, realizar atividade física global diária e dormir bem. Ainda chamou a atenção especial para as recomendações de saúde pública, que podem acabar colaborando para o problema, citando o crescimento de crianças com problemas de autoimagem, neuróticas, ansiosas ou com distúrbios alimentares.

Para a presidente do Comitê de Nutrologia da Sociedade de Pediatria do RS, Berenice Lempek dos Santos, é preciso incentivar a alimentação saudável aliada à atividade física na escola e também junto às famílias. Defendeu a união entre entidades, universidades e gestores públicos para deter esse problema. Falou da campanha que a Sociedade de Pediatria realiza junto a pediatras para estimular a alimentação saudável na família, o aleitamento materno e a adequada alimentação complementar. Citou a polêmica envolvendo a campanha da instituição em 2016 e disse acreditar que campanhas chocantes nos fazem refletir. Como sugestão, defendeu a instrumentalização de profissionais da saúde e das instituições de ensino para estimular atitudes comportamentais de prevenção da obesidade. 

A presidente do Conselho Regional de Educação Física, Carmen Rosane Masson, lembrou que de todas as áreas da saúde apenas o profissional da Educação Física trabalha realmente com a saúde, as demais tratam da doença. Ressaltou que apenas 33% da população brasileira realiza atividades físicas regulares e criticou iniciativas que discutem retirar a disciplina de Educação Física dos currículos escolares. Lembrou que a atividade física traz benefícios à saúde se bem orientada, defendendo como fundamental a orientação do profissional da área. Ainda destacou que é preciso adequar as atividades físicas à idade da criança.

A presidente do Conselho Regional de Nutrição, Jacira Conceição dos Santos, lembrou que há uma legislação, de 2009, que obriga escolas públicas a terem um profissional da nutrição, mas o governo do Estado, até agora, não incluiu o cargo de nutricionista nas escolas. Segundo Jacira, além de cuidar da alimentação, o profissional é responsável pela educação alimentar. Lembrou que não apenas na família ocorra a alimentação inadequada, citando cantinas de escola e festas de recreação onde alimentos industrializados e bebidas açucaradas são oferecidas. “E alimentos oferecidos nos momentos de prazer ficam registrados no nosso inconsciente como um alimento bom”, ressaltou. Citou o comportamento alimentar como preponderante para uma boa alimentação e que isso precisa ser bem trabalhado, como estimular as refeições em família, reduzir ou substituir os alimentos industrializados, entre outras ações.

O pediatra João Carlos Batista Santana falou sobre pesquisas realizadas em Veranópolis, desde 1999, com crianças, adolescentes e adultos jovens. Lembrou que a obesidade é um fator de risco importante que leva a perda de qualidade de vida ou a morte de pacientes internados em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI). Citou pesquisa recente com escolares do município, que mostrou que 25% das crianças com menos de 10 anos e 16% dos adolescentes são obesos.

O secretário-adjunto de Saúde de Porto Alegre, Pablo Stürmer, destacou medidas macro que podem auxiliar, lembrando que temos muito mais resposta à atividade física quando as cidades possuem ciclovias ou seguranças para que se pratique esporte nos parques, por exemplo. Falou ainda da importância da atenção com a merenda escolar e as atividades na escola, já que as crianças ficam mais tempo dentro da escola que nas unidades de saúde.

Representando a Secretaria Estadual da Saúde, Maísa Beltrame Pedroso trouxe dados do acompanhamento do estado nutricional no RS, com dados obtidos com crianças atendidas em unidades de saúde no estado. “Temos pouco registro do acompanhamento do estado nutricional. Mesmo assim, dados são alarmantes”, alertou. Segundo ela, 23% das crianças de zero a 2 anos apresentam sobrepeso. Disse ainda que o tempo de aleitamento materno no RS é muito baixo e a alimentação complementar é inadequada, citando biscoitos e alimentos industrializados já nesta faixa etária. Defendeu a intensificação de iniciativas já realizados como Programa Academia da Saúde, Programa Saúde na Escola, Programa Primeira Infância Melhor e Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional.

Presenças

Também estiveram presentes estudantes da Fadergs, além de representantes da Federação da Associação de Pais e Mestres do RS, Instituto de Cardiologia, Sindicato dos Odontologistas do RS, Sindicato Médico do RS, Fetag, Associação dos Bariátricos do RS, vereadores e gestores públicos de cidades gaúchas como Estrela, Gravataí e Alvorada, entre outras entidades.

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Comissão de Saúde e Meio Ambiente


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